Motherboardhttps://motherboard.vice.com/pt_brRSS feed for https://motherboard.vice.comptWed, 06 Sep 2017 18:35:56 +0000<![CDATA[MOTHERBOARD, o canal de ciência e tecnologia da VICE]]>https://motherboard.vice.com/pt_br/article/7xxn8x/motherboard-o-canal-de-ciencia-e-tecnologia-da-viceWed, 06 Sep 2017 18:35:56 +0000Nossa casa nova agora está mais integrada com a família VICE.

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<![CDATA[O comovente caso da lesma que arriscou a vida para fumar]]>https://motherboard.vice.com/pt_br/article/ywwg9g/o-comovente-caso-da-lesma-que-arriscou-a-vida-para-fumarFri, 11 Aug 2017 15:35:01 +0000A web é imensa. Nem todo grande vídeo se torna viral. Isso explica por que, até o momento da publicação deste texto, somente 70 mil pessoas pessoas deram uma boa olhada nessa peça de arte contemporânea, postada em 2013:

A cena abre com uma lesma, coberta pela escuridão, curtindo um spliff (mistura de tabaco e maconha, também chamado de x-salada em algumas rodas pelo Brasil) ao som de uma batida. Quatro anos atrás, não tínhamos muito contexto para incluir esse vídeo em uma matéria, mas, agora, queremos dissecar o que está acontecendo,

De acordo com dois especialistas em invertebrados com quem conversei, essa lesma pertence à família Arionidae. A partir disso, podemos chegar até a Arion vulgaris por sua cor amarronzada e sua base laranja brilhante.

Enquanto o cinegrafista manobra habilmente seu iPhone 5S, ou seja lá o que as pessoas usavam para filmar em 2013, temos uma ideia melhor do que esse belo lesmão está fazendo. Ele parece roer mesmo o papel. Lesmas gostam de papel.

Nunca vimos um meme sobre oferecer maconha para lesmas e caracóis vingar. Fazer uma lesma fumar maconha, como o Reddit quer que todos saibam, não é uma invenção. Esses caras sem noção, por exemplo, colocaram um isqueiro bem perto de uma lesma enquanto tentam fazê-la fumar um baseado. A outra lesma disse não.

As lesmas também gostam de arruinar plantações de maconha, e mastigam, felizes da vida, as folhas, talos e caules, botando ovos por toda a plantação. Eles são um aborrecimento recorrente para os produtores a ponto de ganhar menção na Cannabis Encyclopedia, um guia de cultivo e consumo.

Contudo, apesar de tudo o que pudemos esclarecer nesse vídeo, há muitas questões não resolvidas: será que as lesmas têm esse apetite pela maconha porque são capazes de sentir os efeitos do THC? Ou elas apenas comem indiscriminadamente plantas verdes e folhosas? Será que a erva seca e enrolada tem o mesmo fascínio de uma folha viva repleta de clorofila? Será que o consumo de maconha prejudica as lesmas?

Como não tem fumaça saindo do sistema respiratório da lesma do vídeo, podemos afirmar que ela não está inalando.

Os especialistas em invertebrados com quem conversei foram gentis ao responder minhas perguntas, mas também ficaram muito perplexos.

"As lesmas são herbívoros no general e comerão a maioria das plantas que encontrarem, acredito que incluindo os baseados..." me contou Morgan Jackson, um aluno de pós-graduação em Entomologia na Universidade de Guelph em Ontario, no Canadá. "Não tenho ideia dos efeitos, ou mesmo se é possível distingui-los do comportamento naturalmente chapadão das lesmas." Bem pontuado.

O Dr. Menno Schilthuizen, pesquisador de caracóis e lesmas do Centro de Biodiversidade Natural de Leiden, na Holanda, também aponta que nosso herói está atrás do papel do baseado. "Muitas lesmas se alimentam geralmente de detritos", ele me contou. "Elas definitivamente comeriam a parte de fora do baseado, pois caracóis e lesmas têm preferência por papel, mas não tenho muita certeza do conteúdo."

E é aqui que acontece uma reviravolta. Pó de tabaco, fumo ou rapé, Schilthuizen observa, é utilizado para controlar as pragas de lesmas e caracóis. Estudos mostram que o tabaco é um exterminador de lesmas bastante eficiente e que o extrato de tabaco misturado com álcool etílico os leva à morte. Assim, se a lesma tiver ido além do papel, e se o cara que subiu o vídeo chamou de spliff porque é erva misturada com o tabaco (em geral, é o significado do termo), então a lesma certamente se deu muito mal ou morreu.

"Ainda não sabemos se elas são afetadas pelo cannabidiol da maconha, e, se a resposta for positiva, não sabemos até que ponto", afirmou Schilthuizen. Parece haver uma lacuna científica na pesquisa sobre os efeitos da maconha nos invertebrados.

Vamos torcer para que a lesma do vídeo tenha comido um pouco de erva antes de ter chegado no tabaco. De qualquer forma, considerando a longevidade média de uma lesma, 12 anos, esse trabalho é considerado póstumo. Descanse em paz, lesminha.

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<![CDATA[Este simulador põe seu rosto em bebês virtuais pra te incentivar a procriar]]>https://motherboard.vice.com/pt_br/article/paad8b/este-simulador-poe-seu-rosto-em-bebes-virtuais-pra-te-incentivar-a-procriarFri, 11 Aug 2017 14:19:59 +0000Quando entrei no estande Real Baby Real Family, uma das atrações da conferência SIGGRAPH sobre computação gráfica, nos EUA, recebi uma máscara cirúrgica com um código QR que me direcionava para um questionário. Era hora de escolher as características do meu bebê virtual.

Em questão de segundos, eu estava respondendo perguntas muito pessoais — e problemáticas — em uma tela virada para outros participantes da conferência. Coisas como: "você quer ter filhos?". Ou: "qual desses bebês mais te agrada?"— e por isso eles queriam dizer "quer que seu bebê seja de qual etnia: branco, negro ou asiático?"

Embora estranho, o projeto Real Baby Real Family é uma tentativa de solucionar um problema muito sério. A taxa de natalidade do Japão está despencando. Por conseguinte, o abismo entre idosos e jovens só aumenta. A esperança é que projetos de realidade virtual como o Real Baby possam reverter o declínio da taxa de natalidade japonesa.

"A ideia é que ver seu próprio rosto nessa criança deixa a experiência muito mais realista", afirma Jeremy Kenisky, diretor de Tecnologias Emergentes da SIGGRAPH 2017.

Uma vez escolhido meu "tipo" de bebê favorito, descobri que um erro no programa me obrigaria a ser uma mãe solteira. Fiquei decepcionada por não poder ter um bebê com minha colega de trabalho Sarah ou com o David de Michelangelo, mas não podemos esperar muito de um demo. Apesar de ter admitido que eu não queria ter filhos, acabei escolhendo Dolores, um bebê descrito como "sociável".

Em seguida, fui fotografada e colocada na frente de um berço de madeira, onde recebi uma boneca gordinha. Coloquei meus óculos de realidade virtual. Ao abrir os olhos, fui transportada para uma realidade virtual à la Jodorowsky, cheia de montanhas cobertas de neve. No segundo seguinte, eu estava sozinha com Dolores na minha casa virtual. Ela estava com fome.

Captura do processo de criar um filho virtual. Crédito: Divulgação

Um voz potente me mandou pegá-la no colo. Tateei o berço real à minha frente como se estivesse apalpando o nada e peguei Dolores nos braços. Estava claro que eu não sabia segurar um bebê, mas a voz não se importou. Pegue a mamadeira e alimente seu bebê, ordenou ela.

Peguei a mamadeira à minha esquerda (um controle de realidade virtual na vida real) e levei ela até a boca da Dolores. A mamadeira tremeu e o bebê deu algumas risadinhas. Quando vi, também estava rindo. Após alimentar, balançar e abraçar meu bebê, a voz me orientou a colocar o bebê de volta no berço. Minha maternidade virtual havia durado por volta de cinco minutos.

Depois de colocar Dolores para dormir, respondi novamente algumas da perguntas iniciais ("Você quer ter filhos?") e outras novas ("Você gostou do seu bebê?").

Não me senti confortável em dizer "não", então encarei o "SIM" que flutuava na minha sala virtual até que minha resposta fosse registrada.

Quando tirei os óculos, o professor Akihiko Shirai do Instituto de Tecnologia de Kanagawa, no Japão, que havia me ajudado durante a primeira etapa do simulador, parecia contente. "Viu?", disse ele, que havia assistido a toda a experiência em um monitor. "Essa simulação pode mudar sua opinião bem rapidamente."

"Muitos cursos de medicina usam bonecos anatômicos para simular cirurgias, mas a novidade é que agora eles podem usar a realidade aumentada para dar rostos a esses bonecos, o que dá uma sensação de que eles são pessoas de verdade", disse Kenisky.

Shirai sonha com o dia em que programa Real Baby será usado em escolas, hospitais e clínicas, tanto por casais que esperam um filho quanto por crianças e adolescentes. De certa forma, ele e sua equipe reinventaram a antiga técnica de usar ovos para ensinar crianças a cuidar de bebês, na esperança de não apenas ensinar o que é ter responsabilidade, mas também de desmistificar e humanizar a paternidade e a maternidade.

Voltando à minha experiência pessoal, não sei se a simulação me convenceu a ter filhos, mas eu estaria mentindo se dissesse que Dolores não me cativou.

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<![CDATA[A barrinha de grilo é o futuro da barrinha de cereais no Brasil]]>https://motherboard.vice.com/pt_br/article/wjj88y/a-barrinha-de-grilo-e-o-futuro-da-barrinha-de-cereais-no-brasilThu, 10 Aug 2017 19:22:48 +0000Dizer que o ambiente está à beira do colapso é repetir o óbvio. Nossa fome insaciável por frango, porco, ovos e outros produtos alimentícios animais está ajudando a detonar o clima, as florestas e a camada de ozônio. Um relatório do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) estimou que, no Brasil, cada R$ 1 milhão gerado pela pecuária gera também R$ 22 milhões em impactos ambientais, com destaque para gases causadores do efeito estufa e desmatamento. A criação de gado degrada o solo, a água e os biomas locais. Se vacilarmos, vamos destruir o ambiente em nome de uma dieta dependente de proteína animal. A solução está naquilo que outrora pousava em nossas sopas: as moscas.

Para a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO, na sigla original), devemos nos preparar para dietas ricas em insetos. De acordo com um relatório da instituição, "insetos podem converter 2 kg de alimento em 1 kg de massa corporal; em comparação, bovinos necessitam de 8 kg de alimento para produzir 1 kg de ganho de peso". Outra vantagem no consumo dessas criaturas é que podem emitir de 10 a 100 vezes menos gases do efeito estufa que a pecuária tradicional. A alimentação dos insetos pode consistir de dejetos humanos e animais, diminuindo a necessidade da produção de rações, cultivo que é responsável por outros males ambientais, como a monocultura.

Embora insetos já façam parte dos hábitos alimentares de 2 bilhões de pessoas, a FAO quer incentivar o resto do mundo a colocar esses artrópodes no prato. Além de questões culturais, a organização afirma que é preciso que haja "aumento da inovação na mecanização, automação, processamento e logística para reduzir os custos de produção a um nível comparado a outras fontes de alimento".

O mercado já está se preparando. Nos EUA, Canadá e Europa, pequenas empresas e startups já começaram a surgir, dedicadas a criar e comercializar insetos como fonte de alimentação. A consultoria Arcluster estima que o mercado global de insetos para alimentação deverá ser de US$ 1,53 bilhão até 2021. No Brasil, a startup Hakkuna está pronta para começar a produzir barras de cereal feitas de grilo. Criada por Luiz Filipe Carvalho, engenheiro de materiais de formação, a empresa tem também o zoologista Gilberto Schickler como sócio. Atleta amador, começou a se interessar pela entomofagia durante o mestrado. "A bolsa não pagava muito bem e eu não queria comprar whey protein, que é muito caro", conta. Aluno de Schickler em cursos de criação de insetos, começou a fazer experimentações. "Peguei uma quantidade de grilo, desidratei e fiz um protótipo de uma granola com farinha de grilo. Ficou super gostoso e pensei que poderia dar certo."

A Hakkuna pretende comercializar as barras de proteína em ou ano ou menos. Atualmente, estão em busca de um investidor para estruturar o negócio e começar a produção numa escala razoável. Os sócios apostam na qualidade do produto. "Os insetos têm a mesma composição nutricional da maioria das carnes", explica Schickler. "Eles têm um 'pool' de aminoácidos que compreende todos os que o organismo necessita. Assim como as carnes, são uma fonte bem completa de nutrientes. Têm gorduras ômega 3, ômega 6, que são benéficas. É um alimento que promove saúde quando consumido de forma adequada. A gente abate o grilo, desidrata e faz um farinha com ele", diz Carvalho. "Cem por cento do inseto vira essa farinha, que tem 69% de proteína. Isso é interessante para atletas e quem busca proteína de qualidade; ela tem absorção boa."

Petiscos podem ser armazenados na geladeira. Crédito: Divulgação

Apesar do entusiasmo, há quem prefira ser cauteloso a respeito do futuro dos insetos. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, diz que a criação de grilos só diminui de fato o impacto ambiental se os animais se alimentarem de dejetos. Caso contrário, a obtenção de proteína desse tipo de produção é muito similar à conseguida na pecuária.

De qualquer maneira, é melhor estar preparado. As moscas vão entrar na sua boca. E você, provavelmente, vai gostar.

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<![CDATA[Pesquisadora passou anos no 4chan para explicar o cinismo que domina a web ]]>https://motherboard.vice.com/pt_br/article/evv4ez/pesquisadora-passou-anos-no-4chan-para-explicar-o-cinismo-que-domina-a-webThu, 10 Aug 2017 15:06:37 +0000The Ambivalent Internet [A Internet Ambivalente, em tradução livre] é um livro teórico que compara a cultura online ao folclore, um meio desregrado porém profundamente tradicional em que histórias (ou memes, no caso) são transmitidas de geração em geração e evoluem a cada narração.

Os autores Ryan Milner e Whitney Phillips, professores de Comunicação e Estudos Literários, exploram o ato de contar histórias na rede, dos contos da creepypasta ao Xeroxlore, de Harambe a Hulk Hogan. O estudo trabalha o tema da ambiguidade linguística: se queremos mesmo dizer o que publicamos na internet e, em caso negativo, o que então queremos dar a entender.

Conversei com Phillips via Skype. Ela é professora assistente da Universidade Mercer, na Geórgia, Estados Unidos, e autora do livro This is Why We Can't Have Nice Things, estudo sobre trollagem e seu contexto cultural. Ela se infiltrou no 4chan por anos a fio para pesquisar e escrever.

"O folclore oferece ferramentas perfeitas para descrever comportamentos cambiantes, [como, por exemplo] como pessoas interagem entre si, e como as tradições mudam com o tempo", ela comentou.

O que se destaca no livro é o tratamento da internet enquanto cultura escrita, uma tapeçaria de ficção colaborativa. Phillips vê as redes sociais como uma tela desordenada, em constante mudança, algo difícil de definir, quanto mais compreender. "As ferramentas da escrita online permitem que as pessoas não só coloquem mais significados em jogo, como criem coisas completamente novas... As pessoas agora fazem parte da produção cultural e não só respondem a ela", diz.

Milner e Phillips optaram por entregar a versão final do livro no dia após as eleições americanas de 2016. "De certa forma, o livro foi escrito em outra era — a era Trump tem vida própria, embora os conceitos discutidos no livro ainda sejam relevantes", disse ela. Com efeito, o texto aborda a ascensão de um tipo específico de sectarismo online em que a ambivalência serve de véu para discursos de ódio. Os jornalistas têm dificuldades em entender o "humor" da nova direita, a chamada alt-right, ao passo que qualquer pessoa que se magoe vira um "bunda-mole sensível".

"Se foi com cinismo e ironia que chegamos até aqui, não será assim que sairemos dessa. Ok, corremos o risco de soar piegas, mas qual é a alternativa?"

Phillips mapeia o trajeto dessa vertente de cinismo niilista nas comunidades de trollagem, que emergiu depois do atentado de 11 de setembro. Em 2003, enquanto as guerras no Afeganistão e no Iraque pegavam fogo, o presidente Bush aconselhou o público a combater o terrorismo com passeios na Disney. Na época, o 4chan começou a desenvolver seu tom característico, aquele que nada além do "kkkkkkk" importa.

Por fim, esse niilismo todo foi absorvido por alguns segmentos de massa. "A ironia e o cinismo foram incorporados no DNA de boa parta da cultura online", explicou Phillips. "E o fato desse tom ter emergido no momento em que emergiu, e ainda prevalecer, pelo menos em certas comunidades, não é coincidência — o folclore é sempre um reflexo de seu tempo."

A influência do 4chan culmina no capítulo final do livro sobre um vídeo intitulado "Trump Effect" [Efeito Trump]. Inspirado na franquia de games Mass Effect, o clipe é uma orgia de hipérboles militaristas. Aparecem veteranos sem-teto e uma águia ao som de um coro. Eis que surge Hillary gargalhando, Ben Carson sonolento e uma bandeira dos Estados Unidos toda rasgada, tudo narrado por um Martin Sheen malévolo. Capaz que o vídeo seja uma sátira; capaz que seja apoio fanático. O próprio Trump o retuitou.

Ainda que o livro mantenha distância acadêmica, a própria Phillips defende a sinceridade com unhas e dentes. "Esse tipo de cinismo não envelheceu bem em 2017. Nunca passou de ladainha; representou sempre uma posição privilegiada para se tomar. Para as pessoas sob ameaça, não há tempo e espaço para ser irônico. Elas não têm escolha além de se importar", diz.

Phillips acredita que a mudança está por vir e que a ambivalência tem seus limites. "Se foi assim que chegamos até aqui, com cinismo e ironia, não será assim que sairemos dessa. OK, corremos o risco de soar piegas, mas qual é a alternativa?", disse ela.

A mudança pertence àqueles que ousam clamá-la: "Não há nada mais vulnerável nas redes do que dizer que você se importa. Isso demanda certa coragem, sobre a qual nada sabe o cinismo."

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evv4ezRoisin KiberdStephanie FernandesGuilherme PavarinInternetlivro4Chanlivroscinismoanáliseo que significa a falta de sentido na web
<![CDATA[Um programinha está alastrando o gemidão do zap por ligação telefônica]]>https://motherboard.vice.com/pt_br/article/neewzz/um-programinha-esta-alastrando-o-gemidao-do-zap-por-ligacao-telefonicaWed, 09 Aug 2017 18:58:29 +0000Parecia uma quarta-feira comum quando, no pacato almoço de nossa equipe, um membro do nosso time recebeu uma ligação de número que não conhecia. Começava com nove, tinha nove dígitos e era da mesma cidade. Por que não atender? A surpresa veio quando, ao encostar o celular no ouvido, nosso colega ouviu, em vez do 'alô', os gemidos da atriz pornô americana Alexis Texas. Os gritos de AAAWN OOOWN NHAAA AWWN AAAH se espalharam pelo ambiente e, enquanto alguns tentavam abafar o som com guardanapos e conchas de mãos, soubemos estar diante de algo novo no âmbito da zoeira nacional.

Se você é brasileiro e está em pelo menos um grupão de WhatsApp, deve ter escutado falar do famoso "gemidão do zap". Amado por uns, odiado por muitos, o arquivo de áudio já pegou muita gente de surpresa, inclusive em transmissões de televisão ao vivo. O compartilhamento em arquivos de áudio e links pelo app e até por outras redes sociais é bem comum. A novidade — um tanto quanto assustadora, na real — é receber a falsa ligação de Alexis via ligação telefônica.

A evolução da pegadinha é obra de um programador brasileiro com tempo livre que escreveu um código que permite você ligar para o seus amigos com o gemidão. A forma de usar não é muito complicada, mas precisa sacar um pouco como funciona linha de comando e ter uma versão atualizada do interpretador da linguagem de programação Javascript instalado na máquina, o Node.js.

Também é preciso utilizar a API totalvoice, serviço de ligações que o programador se baseou para produzir o código. Feito isso, tanto a instalação quanto a execução do programa acontecem na linha de comando do sistema operacional que você está rodando. Aí precisa passar o número do telefone que vai receber o gemidão e o número do acesso do serviço que faz a ligação. Também é possível passar um número qualquer que vai aparecer na tela da pessoa que recebeu a ligação. Mas, bem, por que você faria isso, né?

A gênese do gemidão telefônico. Crédito: Reprodução

O programa também inclui a possibilidade de enviar mensagens via SMS, mas o serviço do Totalvoice não permite o envio sem a contratação deste serviço. Conforme explicou o desenvolvedor em sua página do Github: "a função de SMS é alpha. Por enquanto, funciona somente para o número cadastrado."

O Motherboard tentou contato com o programador, mas até o fechamento deste texto não obteve resposta. (Se ele retornar nossa ligação, esperamos que não seja com gemidão.)

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neewzzBrunno MarchettiGuilherme PavarinDownloadGithubcelularcelulareswhatsappAPIAlexis TexasAPIszapAAAWN OOOWN NHAAA
<![CDATA[O brasileiro achou o melhor uso para drones: acender churrasqueira]]>https://motherboard.vice.com/pt_br/article/a33w74/o-brasileiro-achou-o-melhor-uso-para-drones-acender-churrasqueiraTue, 08 Aug 2017 19:02:56 +0000Drones são legais, mas, convenhamos, são fáceis de enjoar. É o problema do monotasking. Pouco depois de ver o bichinho lá no alto, cheio de hélices e poesia, pulamos para outras distrações — spinners, PS4, fila de bancos, séries, relatórios de produtividade — e esquecemos do gadget que nos proporcionou aquele shake de alegria. Parece que é assim nossa existência, não? Deixamos pelo caminho o que nos deu momentos de prazer e, eternamente quase satisfeitos, buscamos algo mais legal, rápido, bem acabado, postável.

Só que o brasileiro é um povo que não gosta de desperdício. Se algo define nosso ethos tecnológico é a busca por novos usos em coisas velhas. Por necessidade ou tédio, ressignificamos nossos objetos domésticos. Somos do tipo que faz varal com cabides, bota palha de aço nas antenas, enche saleiros de arroz velho... Não é só apreço pela gambiarra: queremos o desafio de usar o mesmo aparato para diversas funções. Pouco importa a facilidade do engenho. O que vale é a apreciação artística do improviso, como podemos ver na tendência nacional de botar drones para acender churrasqueiras.

Leia também: O que é preciso para pilotar um dronezinho no Brasil?

O hábito não é tão novo quanto parece. Numa busca pelo YouTube, é possível achar vídeos similares de até cinco anos atrás, o que mostra, como atesta esse belíssimo vídeo dominical da família brasileira, que nosso povo curte levar um dronezinho para curtir o churrasco há um bom tempo. Usá-lo para integrar o ritual de assar a carne era só um previsível desdobramento que, agora sabemos, tem rolado em várias regiões do país.

Leia também: Por dentro da primeira corrida de drones do Brasil

Este, por exemplo, é o retrato perfeito do churrasco noturno e caseiro de cidade interiorana — é também um dos nossos favoritos pela questão estética. Reparem no espetáculo de luzes e fagulhas:

Há também espaço para outra modalidade que nos parece mais eficaz: segurar o drone sobre a churrasqueira e deixar suas hélices fazerem o serviço. No mesmo vídeo, de 2015, o homem que agarra a aeronave não-tripulada também se orgulha do fenômeno que julga ser inédito.

Todos parecem crer que estão criando um novo tipo de viral. No vídeo abaixo, o apresentador arrisca uma abordagem mais youtuber — faltou apenas editar com cortes abruptos e gritar:

Já esse, que também parece buscar uma diferenciação dos métodos tradicionais gaúchos, chama atenção por estar aparentemente num território de obras:

Leia também: Os drones contratados por Doria não são tão seguros assim

O que podemos concluir dessa pesquisa amadora são três coisas:

1) Drones já fazem parte da rotina dos brasileiros a ponto de buscarmos novos usos para eles.
2) A gambiarra nem sempre é fruto da necessidade.
3) Não existe tecnologia social de sucesso no Brasil se não puder integrar o churrasco. Nem que seja para entregar uma carninha para o vizinho:

Que venham novos usos para essas navezinhas — e que não sejam marketing político, claro.

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<![CDATA[Saiba mais sobre o manifesto contra a diversidade que causou a demissão do engenheiro do Google]]>https://motherboard.vice.com/pt_br/article/433g4w/saiba-mais-sobre-o-manifesto-contra-a-diversidade-que-causou-a-demissao-do-engenheiro-do-googleTue, 08 Aug 2017 18:00:17 +0000Nesta semana, publicamos matéria sobre a existência de um memorando antidiversidade escrito por um engenheiro de software do Google e compartilhado amplamente dentro da empresa. Posteriormente, o Gizmodo publicou o texto integral do manifesto, ainda que sem as tabelas e hyperlinks do original.

James se valeu de artigos na Wikipédia, postagens em blogs, pesquisa acadêmica e links para fóruns de discussão, bem como outros recursos disponíveis somente a funcionários do Google (aos quais não tivemos acesso) para basear seu memorando. O autor também utilizou artigos de veículos como The Wall Street Journal, The Atlantic e The New Yorker, bem como de publicações menores como a revista libertária Quillette.

O documento usa ainda este gráfico, sem nenhuma explicação ou fonte explícita:

O documento deixa o link para um Grupo do Google chamado "coffee beans". Foi confirmado posteriormente junto a um funcionário da empresa que se trata de grupo interno para discussão de diversidade na contratação.

Cabe notar que recebemos várias cópias do documento de diversas fontes em nosso SecureDrop. Publicamos aqui a versão mais completa que recebemos em formato PDF. Recriamos o doc do zero de forma a retirar seus metadados. Fora isso, não houve nenhuma outra alteração. Os links podem não funcionar a depender do navegador – caso baixe o PDF completo, estes devem funcionar.

Verificamos o documento junto a nossas fontes no Google, que confirmaram se tratar do mesmo arquivo circulado dentro da empresa. Funcionários do Google confirmaram ainda que James Damore, que assina o documento, continuou a discutir os temas ali abordados em fóruns de discussão internos da empresa ao menos até domingo. Estas fontes aceitaram falar conosco sob condição de anonimato, visto que o Google tem uma cláusula de confidencialidade bastante severa.

O texto original, postado no Google Docs, contém comentários de Damore e outros funcionários da empresa. É possível que o documento tenha recebido mais edições desde que o recebemos. Não tivemos acesso aos comentários do documento original.

Tentamos contatar Damore cinco vezes ao longo do final de semana antes de publicarmos qualquer matéria, sem sucesso. Perguntamos ao Google como a empresa pretende lidar com as reações internas ao documento e Damore. A empresa declarou por meio de Danielle Brown, vice-presidente de Diversidade, Integridade e Governança da empresa, que o texto "levava adiante noções erradas sobre gênero" e que os planos da empresa para a construção de um ambiente aberto inclui "posições políticas diferentes".

Pouco depois do nosso contato, a Bloomberg publicou que o engenheiro de software do Google James Damore foi demitido. Damore disse ao veículo que sua demissão se deu por conta da "perpetuação de estereótipos de gênero". Entramos em contato com o Google para confirmar os fatos, mas fomos comunicados de que a empresa não pode "comentar casos de funcionários individuais".

Lorenzo Franceschi-Bicchierai colaborou com esta matéria.

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<![CDATA[Jovens reimaginam o século XIX com tecnologias do futuro]]>https://motherboard.vice.com/pt_br/article/ywwmpx/jovens-reimaginam-o-seculo-xix-com-tecnologias-do-futuroTue, 08 Aug 2017 15:42:22 +0000Apesar de pouco conhecido, o steampunk subgênero da ficção científica inspirado na tecnologia do século XIX, em especial o motor a vapor – levou centenas de pessoas de cartolas, chapéus coco, óculos de solda e engrenagens até a Vila de Paranapiacaba, em Santo André, em São Paulo, para a quinta edição da Steamcon, realizada no último fim de semana.

Quem passava pela região talvez acreditava se tratar de nova moda. Raul Cândido, um dos organizadores do evento, porém, rejeita a ideia. Ela ressalta que, mesmo com a pompa das caracterizações do século retrasado reimaginadas, o movimento todo "não é uma tribo urbana". Ele comenta que o subgênero alcançou status de movimento cultural, embora seja menor e menos famoso que seu irmão mais velho, o cyberpunk.

Para ele, da mesma forma que o cyberpunk olhava para o futuro e pensava a nossa relação com a tecnologia de uma forma pessimista, o steampunk faz isso de maneira um pouco mais leve. Segundo ele, a graça é imaginar um passado hipertecnológico com o que se tinha disponível na época. No lugar de transistores e microchips, há computadores movidos a válvula, e por aí vai.

"A pergunta principal do gênero é se de fato estamos em um processo de evolução, pois, embora tenhamos avançado muito tecnologicamente, ainda arrastamos muito preconceito, além de ideias e comportamentos antiquados", observou Cândido.

A despeito da questão filosófica, o clima do evento foi descontraído e o papo principal era as fantasias. Pessoas de diversas idades discutiam onde e como as fizeram enquanto compravam coisas na feirinha e curtiam a programação que teve desde palestra sobre biohacking até lançamento de livros e sessões de autógrafos. Os apetrechos iam de espartilhos e cartolas até escafandros.

Nesta edição o objetivo era entrar para o livro dos recordes como o maior evento steampunk do mundo. A forma de avaliação seria uma foto com todas as pessoas caracterizadas. Na página oficial do postaram no domingo que não foi dessa vez.

Pelo menos rendeu umas foto loca que você confere abaixo:

Crédito: Caroline Lima
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<![CDATA[Seus dados de navegação anônimos não são tão anônimos assim]]>https://motherboard.vice.com/pt_br/article/j55epx/seus-dados-de-navegacao-anonimos-nao-sao-tao-anonimos-assimTue, 08 Aug 2017 15:17:20 +0000Em agosto de 2016, um corretor de dados recebeu uma ligação de uma mulher chamada Anna Rosenberg, funcionária de uma pequena startup de Tel Aviv, em Israel. Rosenberg alegou estar trabalhando na criação de uma rede neural — um tipo de estrutura digital inspirada no cérebro humano — e que por isso desejava ter acesso aos dados de navegação vendidos pela empresa. Como a startup na qual ela trabalhava tinha um bom financiamento, dinheiro não seria um problema. Mas dada a quantidade de corretores de dados por aí, Rosenberg não planejava fechar um contrato com qualquer um. Antes de assinar qualquer documento, ela queria um teste grátis.

Um dia após Rosenberg entrar em contato com o corretor, recebeu um telefonema. Um vendedor que representava o corretor em questão deu à Rosenberg as informações que ela precisava para acessar o banco de dados disponível em seu teste gratuito. O corretor deu à Rosenberg acesso ao histórico de navegação de 3 milhões de internautas alemães durante um mês, com a condição de que durante parte desse período, uma parcela dos dados de navegação seria obtida em tempo real (isto é, descartada e renovada a cada dia).

Havia apenas um problema: nem Anna Rosenberg nem a startup que ela alegava representar existiam.

Rosenberg era um pseudônimo de Svea Eckert, jornalista investigativa do conglomerado de mídia alemão NDR que estava investigando a venda de dados de navegação, em particular a venda de dados supostamente anônimos coletados e vendidos aos montes por plugins.

"Eu imaginei que conseguiríamos um período de teste de três dias, algo assim", contou-me Eckert semana passada durante a Def Con, evento no qual a descoberta foi apresentada pela primeira vez em solos internacionais. "Nossa empresa de fachada não tinha um endereço de verdade, ela não era registrada. A gente só tinha um site e uma conta no LinkedIn. Ficamos surpresos quando percebemos que eles estavam dispostos a nos dar esses dados."

Após receber os dados inclusos no período de teste, Eckert se uniu a Andreas Dewes, cientista de dados no comando da empresa 7 Scientists, para ver se eles conseguiam descobrir a identidade de indivíduos com base nas informações disponíveis nesse banco de dados. À primeira vista, os dados de navegação a quais eles tinham acesso não parecim ser muito importantes; eles consistiam em um monte de URLs com timestamps.

Parte dos dados de navegação de um juiz holandês identificado através de dados supostamente anônimos. Crédito: Svea Eckert

A primeira tarefa de Eckert foi descobrir se seus dados de navegação faziam parte do conjunto de dados. Para fazer isso, ela conduziu uma busca associando as URLs disponíveis com a página de login de sua empresa, que gera uma ID exclusiva para cada funcionário. A Alemanha possui uma população de cerca de 82 milhões de pessoas, o que significa que a probabilidade de que os dados de Eckert estivessem entre os dados disponíveis pela empresa era pequena. Embora seu histórico de navegação não estivesse no banco de dados, ao consultar os dados da página de login de sua empresa, Eckert descobriu que os dados de uma série de colegas estavam à venda.

Essa informação dava a Eckert acesso total ao histórico de navegação de vários de seus colegas. Após sua descoberta, Eckert entrou em contato com um desses colegas — seu amigo pessoal — para informá-lo de que ela tinha acesso a seu histórico de navegação. Nesse momento, o objetivo de Eckert era descobrir qual plugin estava coletando e vendendo esses dados.

Para responder essa pergunta, Eckert instruiu seu amigo a deletar um plugin a cada hora, até que seus dados desaparecessem da transmissão em tempo real. No sétimo plugin, seus dados desapareceram. Isso revelou que o plugin que estava apreendendo e vendendo seu histórico de navegação era, ironicamente, o Web of Trust, um programa que oferece "ferramentas gratuitas de busca e navegação seguras".

A parte mais preocupante da técnica de Eckert e Dewes é que ela pode ser empregada em qualquer pessoa com uma conta pessoal em alguma rede social. Em seu relatório, Eckert e Dewes usaram perfis do Twitter e da versão alemã do LinkedIn, o Xing, para tentar revelar a identidade de figuras públicas incluídas no conjunto de dados.

Quando clicamos na página de estatística do Twitter, somos direcionados a uma URL que inclui nosso nome de usuário — recurso também disponível no Xing. Isso permitiu com que Eckert e Dewes vasculhassem o banco de dados atrás das URLs de políticos alemães.

Caso um desses políticos estivesse incluso no banco de dados, o próximo passo era visitar sua página no Twitter e salvar alguns dos links que ele havia postado recentemente. Ao associar esses links à URL produzida pelo Twitter, Eckert e Dewes puderam identificar o histórico de navegação de determinado indivíduo em meio ao banco de dados anônimos.

Como Dewes me disse durante nossa conversa na Def Con, identificar um indivíduo em meio aos dados de 3 milhões de pessoas requer uma quantidade surpreendentemente pequena de informações. Como o histórico de navegação de cada pessoa é único, são necessárias apenas 10 visitas para criar uma "impressão digital" de um indivíduo.

Além disso, Dewes acrescenta que, como identificar um indivíduo é relativamente simples, tentar burlar essa técnica de análise visitando uma série de sites aleatórios é inútil, visto que são necessários poucos sites para identificar uma pessoa.

Durante a investigação, Eckert e Dewes encontraram alguns políticos no banco de dados. Os hábitos de navegação desses funcionários públicos, tais como o interesse de um juiz holandês por pornografia pesada, foram disponibilizados em sua totalidade para os pesquisadores.

Ao aceitar ter acesso a seu histórico de navegação, Valerie Wilms, membro do parlamento alemão, ficou chocada com o que os pesquisadores haviam descoberto. "Isso é perigoso", disse Wilms à reportagem original da NDR. "Isso deixa as pessoas vulneráveis à chantagem."

Segundo Eckert, a parte mais preocupante da coleta de dados de navegação é que ela é legal e relativamente barata. Após entrar em contato com 100 corretores de dados, Eckert afirma que os orçamentos que ela recebeu durante o mês de pesquisa variavam entre 10.000 e 500.000 euros — uma mixaria dentro dos círculos políticos. Quando Eckert e Dewes entraram em contato com o plugin responsável pela venda desses dados, a empresa afirmou que suas vendas estavam em conformidade com seus termos e serviços, e que ela "se esforçava" para manter o anonimato de seus clientes.

Como destacado por Eckert, é importante ler os termos de serviço e compreender a política de utilização de dados de cada empresa. Mesmo empresas como a Web of Trust, cujo modelo de negócio baseia-se no uso seguro da internet, podem expor, mesmo que inadvertidamente, os dados de navegação de seus usuários.

Isso também ressalta a importância da neutralidade da rede nos Estados Unidos. Em março, o Congresso americano aprovou a eliminação de uma série de regras de privacidade que exigiriam que provedores de internet obtivessem a permissão de seus usuários antes de vender seus dados de navegação. Como comprovado pela investigação conduzida por Eckert e Dewes, além desses dados serem fáceis de obter, eles podem ser usados para acessar o histórico de navegação de indivíduos específicos.

"Sinto que os corretores de dados não sabem o que eles estão vendendo", disse Eckert. "Quando liguei para saber mais sobre a compra de dados, eles agiam como se estivessem vendendo pedras ou maçãs. Essas empresas enlouqueceram."

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