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Pode parecer que esse assunto diz respeito só às eleições dos EUA, mas não é bem assim. Crédito: Gene Cartwright/ Flickr

Vazamento dos e-mails da campanha de Hillary pode botar fogo na política global​

Diogo Antonio  Rodriguez

Diogo Antonio Rodriguez

Pode parecer que esse assunto diz respeito só às eleições dos EUA, mas não é bem assim.

Pode parecer que esse assunto diz respeito só às eleições dos EUA, mas não é bem assim. Crédito: Gene Cartwright/ Flickr

No dia 2 de agosto, o Wikileaks começou a publicar e-mails da campanha de Hillary Clinton à presidência dos EUA. No total, segundo Julian Assange, o site tem 50 mil mensagens trocadas pela equipe de John Podesta, coordenador da campanha da ex-secretária de Estado americana. O Wikileaks promete vazar tudo até o dia 9 de novembro, data das eleições presidenciais. Os democratas estão revoltados, alegando que Assange está agindo a serviço da Rússia e de Donald Trump, o candidato do partido republicano. Será? Entenda a confusão:

Ninguém sabe a origem

O Wikileaks não revelou de onde vieram os e-mails hackeados. Os democratas acusam a Rússia de ter invadido as contas da campanha de Hillary para fornecer munição contra sua candidata e favorecer Donald Trump. Este é também o palpite do FBI, que suspeita de uma ação do governo russo. O presidente Vladimir Putin negou envolvimento.

Hillary se mostrou amiga do capital financeiro

Embora haja muita bobagem nas milhares de mensagens (tipo o pedido de Hillary a um restaurante de comida mexicana), algumas informações importantes vieram à tona. Por exemplo: Hillary fez uma palestra paga a investidores de Wall Street enquanto ainda era secretária de Estado. Isso mostraria, segundo os críticos à ela, que a candidata têm laços estreitos com o capital financeiro – o que poderia afastar os eleitores de Bernie Sanders, seu adversário nas primárias do partido democrata. Sanders é um notório crítico da relação entre a política e empresas privadas, especialmente as do capital financeiro.

Piadas vazadas sobre Sanders pegaram mal

Os textos de alguns dos e-mails mostram que muita água teve de passar por baixo da ponte para que Bernie Sanders apoiasse Hillary. O estafe da ex-primeira-dama tirava sarro do senador e de seus apoiadores nas trocas de mensagens. Até a religião de Sanders virou alvo de piada (ele é judeu). Mesmo assim, o adversário de Hillary nas primárias está apoiando a ex-secretária de estado.

Na dúvida, a culpa é dos russos

As revelações embaraçosas da campanha de Hillary são um prato cheio para Donald Trump, que comemorou os vazamentos. Mas a campanha da democrata não perdeu tempo e acusou o milionário de estar mancomunado com Putin. John Podesta, o chefe da campanha de Hillary, disse, num comunicado à imprensa: "Este nível de interferência só pode ter como alvo ajudar a Donald Trump e deveria assustar a todos os americanos, independentemente do partido político". Podesta afirmou que o republicano está "ao lado dos russos".

O vazamento é mau sinal

Pode parecer que esse assunto diz respeito só aos americanos, mas não. Em primeiro lugar, mostra como a cibersegurança da campanha de uma das personalidades mais importantes da política mundial é frágil. Mesmo que não seja verdade a tese de que a Rússia está por trás do hacking, essa tensão é ruim para o mundo. As duas maiores potências já estão travando uma disputa geopolítica na Síria, onde os americanos apoiam o regime de Bashar Al-Assad e os russos alegam estar combatendo o Estado Islâmico. As relações entre os dois gigantes estão estremecidas há tempos, principalmente depois que a Rússia anexou a Crimeia, região que pertencia à Ucrânia, em 2014. Os EUA apoiaram a derrubada do então presidente Victor Yanukovich, apoiado por Moscou. Tempos estranhos vem por aí.

Diogo Antonio Rodriguez é jornalista e editor do meexplica.com. Na coluna Motherboard Destrincha, ele resume os assuntos mais intrincados da ciência e da tecnologia. Siga-o no Twitter.