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O Futuro Distópico de São Paulo

Um desenvolvedor de games brasileiro imaginou a capital paulista em algum lugar entre Neuromancer e Blade Runner.

Felipe Maia

Felipe Maia

Uma versão futurista de São Paulo. Crédito: Thiago Klafke

O desenvolvedor de games Thiago Klafke, de 28 anos, sempre questionou por que não havia obras de ficção científica ambientadas na cidade de São Paulo. "Como ninguém filmou um longa ou uma série cyberpunk em bairros como Liberdade ou Anhangabaú?", perguntava-se.

Com a ideia fixa de criar uma versão futurista de lugares icônicos da capital, ele resolveu montar, em fevereiro deste ano, um ambiente 3D de São Paulo na plataforma de criação de jogos Unreal Engine 4.

Ciclistas e motoristas de ônibus numa mesma faixa é algo bem futurista mesmo. Crédito: Thiago Klafke

A construção da metrópole virtual durou quatro meses. Thiago estudou paisagens atuais da cidade e imaginou como ficariam sob influência de empresas e tendências do futuro. Os azulejos mal postos das calçadas paulistanas foram combinados a pontos de ônibus com letreiros em neon. Já a atmosfera de vapor subterrâneo e poluição se misturaram a edifícios tradicionais como Copan, projetado por Oscar Niemeyer em 1951.

Os gráficos mostram também que a arquitetura japonesa se tornou o estilo favorito das empreiteiras brasileiras em algum momento da história. O desenvolvedor afirma ter se inspirado nas texturas das principais regiões nipônicas. "Ninguém faz coisas futuristas melhor do que eles", afirma.

Pelo menos esses pontos de ônibus tem uma sombra. Crédito: Thiago Klafke

Thiago fez todo o trabalho à distância. Ele é um dos brasileiros que trabalham na Blizzard, na cidade americana de Irvine, na Califórnia, uma das cinco maiores produtoras de games do mundo. Seu foco de trabalho é o título Starcraft, o maior sucesso da empresa. "Faço parte da equipe responsável por imaginar ambientes que tornem o jogo mais imersível."

Natural de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o artista 3D estudou design na sua terra-natal e deu os primeiros passos nos ambientes digitais modificando mapas de Counter-Strike. "A vontade de trabalhar com games veio bem cedo, mas naquela época isso era algo completamente alienígena", conta. Hoje sua função é criar terrenos, texturas e efeitos especiais em ambientes tridimensionais.

Para reconstruir São Paulo, conta, a inspiração veio da memória: antes de ser selecionado pela atual empresa, ele trabalhou de 2008 a 2011 na sede paulista da produtora canadense Ubisoft. "Curto a dinâmica, o visual, os cheiros, os sons, a cultura de rua, enfim, dar uma volta por São Paulo é sempre inspirador."

Supus que é uma clínica veterinária. Quem sabe eles poderão tratar meu híbrido de iguana com cachorro. Crédito: Thiago Klafke

Na sua obra, o campo-grandense buscou detalhar fliperamas, pixos, calçadas com pisos táteis e as faixas de bicicleta. "Fiz muita questão de incluir as ciclovias", diz. "Elas embelezam bastante a cidade ao trocarem um monte de carro estacionado por uma bela faixa vermelha com pessoas se exercitando."

As principais referências de Thiago foram os mundos de Neuromancer e Blade Runner. "É uma representação de como eu gostaria que a cidade fosse," diz.

Agora ele deve usar o trabalho, chamado de São Paulo Futurista, para criar ambientes interativos com o Oculus Rift em seu novo projeto. Enquanto ele trabalha, torcemos para mais gente se inspirar e criar filmes, livros e joguinhos que se passam em cidades futuristas brasileiras. Quem sabe uma Campo Grande distópica construída por um paulista?

Esse pixo é muito bafo. Bem, quem sabe dá pra jogar aquela versão vintage do GTA 14 aí. Crédito: Thiago Klafke

O ar condicionado continuará um problema no futuro. Crédito: Thiago Klafke

Será que essa é aquela rua entre a Trackers e a galeria? Crédito: Thiago Klafke

Quão bom parece esse filme? Crédito: Thiago Klafke

Jumbinhos... Me vê meia dúzia de Jumbinhos. Crédito: Thiago Klafke

Imagina uma manifestação comendo solta aí. Crédito: Thiago Klafke